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Depois da queda do Muro de Berlim por cima das esperanças dos socialistas do mundo inteiro – dizendo melhor – dos internacionalistas socialistas, restariam tão-somente lembranças amargas daquele tempo na memória ocidental. De fato, na Europa, é disso que se trata. Para as lembranças amargas do socialismo, o povo europeu bem informado pela sua cultura clássica, ou contaminado positivamente por ela, está dando o tratamento que elas mereciam, isto é, o seu repúdio nas eleições. Porém, em países emergentes, que ainda disputam valores e lutam por afirmação nacional ante a forças dissolutivas, tal fenômeno não ocorre. Pelo contrário, as esquerdas mais radicais prevalecem nessas regiões ganhando eleições e semeando discórdias. Para esse público-alvo é que se voltam preferentemente as esperanças de velhos revolucionários como o Dr. I. Stragowski.
Na Europa decaíram muitos dos pressupostos do socialismo por caducidade e anacronismo de meios, mais do que de fins. Nem todos aqueles socialistas,entretanto, morreram, é certo. Alguns sobreviveram e temendo retaliações se disfarçaram para melhor continuarem agindo. De um deles, um ex-professor emérito da Universidade da Amizade dos Povos (Patrice Lumumba), sob o pseudônimo de Dr. Stragowski, e que vive hoje nos Estados Unidos, se soube recentemente existir um relatório, ou uma espécie de manual do comportamento politicamente correto (sob o ponto de vista socialista, é óbvio), dirigido à cidadania dos povos norte e latino-americanos. Obra-prima de contra-informação soviética, ao melhor estilo KGB e dos arquivos de Moscou, o Relatório do Dr. Stragowski, teria sido muito bem acolhido por figuras importantes de governos recentes nas Américas e ali introduzido por influentes agentes formadores de opinião pública, entre artistas, jornalistas e cientistas eminentes, e até por megaempresários.
Aqui reproduzimos alguns itens mais apelativos do tal Relatório.
“Não deixe jamais transparecer aos seus amigos que vocês, ainda que remotamente, retêm alguma simpatia a qualquer governo norte-americano. Não se trata de mostrar antipatia ao povo americano, que como todo povo, ainda pode (e está a) ser cooptado para os nossos ideais marxistas e revolucionários. Trata-se , isso sim, de diabolizar os governos americanos e suas políticas externas e internas, de tal modo que países emergentes possam deduzir por essas condutas um tipo de sentimento que sirva à penetração e à consolidação da nossa ideologia.(diretivas- arquivos 1-3).
No mesmo tom, é conveniente que as massas nacionais devotem às forças armadas dos seus respectivos países o mesmo ódio que elas devotam ao poderio militar norte-americano, de sorte que, ao identificar o imperialismo ianque às próprias forças nacionais, estas se degradem. Além disso, fomentando a hostilidade dos civis, e neutralizando as mentes militares ao orientá-las convenientemente para fins dispersivos e aleatórios, subtraindo-as de suas antigas lealdades (o quê não é difícil, se considerarmos que elas são suscetíveis a apelos nacionalistas), fazendo-as se sentir diminuídas ante a sua perda de poder ou de influência, chegaremos à erradicação da única força realmente antagônica aos nossos propósitos. (diretivas- arquivos 3-4)
A etapa primordial (diretiva arq. 1-3) é fornecer ao imaginário dos povos uma provisão suficiente de sentimentos aversivos a quaisquer ações bélicas, justificadas ou não, protagonizadas por tropas americanas ou a quem venha a elas se associar. Os incidentes internacionais recentes na Bósnia, na Iugoslávia, na Etiópia, e os mais antigos, no Caribe (El Salvador,Granada e Panamá), devem receber o maior repúdio e total desaprovação dos povos. Na mesma linha, as antigas ações militares de Israel, que sempre receberam a simpatia de uma opinião pública internacional lacaia e servil à propaganda ianque, hoje, devem merecer da parte das massas a maior reprovação. Para tal, devemos recrudescer os elementos de propaganda e agitprop no sentido de inviabilizar e desarmar eventuais sentimentos pró-israel nos povos americanos. Por isso é fundamental angariar simpatia a atos terroristas que venham a acontecer no futuro casando-os às idéias de liberdade do povo palestino e a sua luta contra a dominação do sionismo internacional.
As ocasionais relações econômicas do capitalismo com países socialistas e comunistas (China, Coréia do Norte, Cuba) devem ser pronta e convenientemente reconhecidas como sinais de avanço do socialismo, e identificadas como sinal de abertura política que aproxima os povos, assim diluindo as desconfianças antigas. É fundamental para a nossa causa estabelecer relações de igualdade entre povos com potencial para o socialismo com países de economia capitalista desenvolvida através de acordos internacionais e alianças econômicas...(diretivas 4-7)
Ainda, por fim, a destruição completa das figuras de autoridade e de suas instituições, especialmente as de caráter militar e para-militar, deve presidir as nossas ações de sorte a promover o crime incontrolável e imputá-lo à lógica capitalista e ao neoliberalismo, seu nome mais moderno. ...(diretivas 7-10)
É muito salutar à causa marxista-revolucionária que as bases cristãs das nacionalidades sejam atacadas na sua moral. Os costumes decadentes, outrora apanágio de grandes impérios da antiguidade, devem retornar à ordem do dia das sociedades capitalistas emergentes ou não. Convém então acelerar o processo de denunciação criminosa e imoral das igrejas, fomentando a suspeita nessas instituições...(diretivas 3-6)
É peça importante dos nossos esforços políticos e ideológicos a introdução ou a banalização de costumes depravados no seio das sociedades capitalistas, em especial, as mais afluentes. Sobre as menos ricas, nas quais avulta o potencial de luxúria e relaxamento moral,traduz-se de especial relevância, segundo os ensinamentos do nosso mestre Trotski, subverter desde a infância os costumes, instilar o ódio de classes, promover o sexo promíscuo, e propagar as taras sexuais de todos os tipos. A pedofilia, o homossexualismo, a prostituição, são práticas ideais aos propósitos revolucionários. Enfim, é nosso dever aplicar o Plano de Trotski.*
Para obter o controle do mundo e criar uma Nova Ordem Mundial
“ Destruir as gerações jovens através de uma educação maliciosa e
estúpida.
Remover os fundamentos da vida em família.
Dominar a opinião pública tomando de assalto a imprensa e as mídias.
Dominar o povo promovendo (cuidando) os seus vícios.
Minar o respeito por todas as religiões, especialmente as cristãs.
Destruir a arte, a literatura e a música.
Distrair a atenção das massas do que realmente está acontecendo por todos os tipos de entretenimento e competições esportivas – em suma, entreter e impedir que o povo acumule conhecimentos e que pense.
Criar conflitos generalizados e ódio entre diferentes grupos na comunidade.
Retirar o povo das suas velhas tradições, tomando posse da sua linguagem.
Tirar o vigor da agricultura endividando as fazendas, as terras, e removendo o capital das mãos dos financistas.
Encorajar todas as falsas utopias para levar o povo a um labirinto de idéias sem esperança.
Gradualmente infiltrar e minar a autoridade, de modo que possamos contar com o nosso povo.
Preparar a luta de morte entre as nações, exaurindo as populações mundiais pela dor e cansaço, privando-as da sua possibilidade de existência .”
Como vimos o Relatório do Dr. Stragowski, contemporâneo nosso, não difere em síntese do Plano de Trotski de 1906. Desnecessário lembrar que todos os itens do Plano foram executados por Lênin e depois por seus seguidores, incluindo Gorbachev, hoje ainda influente, sobretudo no Ocidente onde executa e coordena políticas “ecológicas” de sabotagem à atividade industrial do mundo livre. A globalização socialista (que comporta inclusive estratégias revolucionárias, mormente em países com pouca força militar e alto índice de miserabilidade), por esses escritos, seja o primeiro deles peça de ficção ou não, se reveste da mesma potencialidade e tem malignidade igual à globalização econômica. Resulta óbvio que esta serve àquela, é seu modus operandi, é seu elemento principal de dissimulação, pois que ao permitir a aplicação dos planos comunistas sob uma base econômica capitalista lucra duplamente, imputando ao capitalismo os ônus e ficando com os bônus que a liberdade e a democracia desse regime propiciam. Essa situação é percebida por analistas mais percucientes como uma ”armadilha gramsciana” perfeita, que engendrou um mecanismo infalível. Os que estão dentro dela mal percebem que suas acomodações apertadas assim são para que se joguem uns contra os outros, e dessa confusão não logrem juntar forças e alcançar saídas. Uma Babel do Demônio! O resultado é a “violência”, antigamente chamada criminalidade; o caos social, a desordem organizada. Em suma, o conflito e clima permanente pré-revolucionário a manter a chama da guerra acesa. Para os que ainda não caíram nela, uma questão de tempo, o seu poder de atração é irresistível. São os seus principais chamarizes: a democracia, liberdades, direitos, e certa distribuição de poder com limites generosos e justiça elástica (o caso brasileiro). A democracia “burguesa” é funcional e providencial. Há que se mantê-la o quanto puder - o processo tem a lógica de ser auto-sustentável - porquanto a revolução necessita de um ambiente, uma plataforma política meramente formal, e um poder que se permite hipotecar em mãos confiáveis até que ele se faça em nome próprio. Aí será tarde demais para as vítimas, a arapuca fechar-se-á. O plano é mundial.
O caso brasileiro tem um papel de destaque no plano trotskiano. A conjuntura histórica brasileira que o está possibilitando tem nas forças armadas um dos protagonistas principais. O regime determinado ao país de 1964 a 1989 inscreveu profundamente nele marcos notáveis pela sua distinção em comparação a regimes políticos passados. Tal impressão, além disso, produziu sobre os protagonistas derrotados uma marca também indelével que hoje eles buscam resgatar pela via da vinditta. O que o regime militar fez, ou deixou de fazer, e o que lhe foi e é atribuído, - o quê no imaginário popular não produz a mínima diferença -, determinaram a hegemonia socialista dos dias de hoje. Tudo aquilo que os governos de 64 a 89 não permitiram, ou evitaram que acontecesse, hoje está no poder. As idéias derrotadas de ontem, são as idéias majoritárias e vitoriosas de hoje. Em um absurdo link histórico descontínuo, as idéias socialistas e revolucionárias, à época já peças de museu, hoje se continuam pelas mãos dos mesmos revolucionários juvenis de ontem, como se o tempo não tivesse passado e a história tivesse ficado em um estado de suspensão. E também na intensidade e na dramaticidade dos acontecimentos de ontem e de hoje se percebe que quanto mais os princípios e valores cristãos e humanistas foram defendidos e sustentados, tanto menos eles agora permanecem. No mundo todo há o fenômeno do recrudescimento da Revolução juvenil de Paris de 1968. Isso é verdade. Entretanto, em nenhum lugar do Ocidente como no Brasil houve tão grande inversão de valores e destruição de princípios; em parte alguma do Ocidente o gramscismo foi tão bem sucedido; em parte alguma do continente as forças armadas foram tão bem neutralizadas na sua vontade de ação, na sua capacidade de ação, e o quê é pior, na sua capacidade de entender o processo histórico internacional de sabotagem gramsciana, oferecendo a ele resistência efetiva e eficaz. Em alguns casos a submissão é consciente e desejada. Em breve, quando o processo estiver mais adiantado - salvo a intervenção de uma força de divina transcendência -, até o país hoje mais infenso ao mal socialista, sucumbirá. Tal a lógica perversa desse engenho. A verdadeira tragédia do socialismo é que a sua natureza pouco difere da imagem que fazemos do demônio: como ele, é insidioso, dissimulado, sedutor, atraente, imaterial, e internacional! Contra isso nem o maior Império pode!
* (você pode ver na íntegra o Plano de Trotski no Museu Britânico, onde ele está desde 1906).No livro do Professor Zbigniew Brzezinski, Between Two Ages (1970-73) existem comentários detalhados desse plano.
Carlos Reis
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