quinta-feira, 20 de junho de 2002

Como o Diabo Gosta III



COMO O DIABO GOSTA  (English Version “LIKE EVIL LIKES”)

Brazuka, República da Mãe Joana
20, June 2002, 19:00 GMT

Tolerância zero! O ilustríssimo Sr. presidente da República da Mãe Joana, em mensagem de ontem aos seus súditos, em palácio, revelou do alto de sua serena complacência que deu para os bandidos! Só faltou revelar os detalhes e os nomes dos felizes rapazes! Porém, as más línguas, todas elas de Brazuka, já apregoavam aos quatro ventos que sua Serenidade imperial, incapaz de matar uma mosca por entre seus dedos enluvados, teria dito aos seus comensais que, depois de ter dado tudo dele para a bandidagem, agora espera que nós venhamos a dar o nosso também, segundo o seu lema favorito – dou tudo pelo social. Até mandou seus marqueteiros que compuseram aquela peça de louvor gay – meu filho, um dia você ainda encontrará um rapaz que te mereça-, confeccionarem para a sua campanha para o secretariado geral da ONU outro dístico artisticamente elaborado em tons róseos, para desgosto de D. Rudhe: “Assim não dou”.

Extra Ediction.

 COMO O DIABO GOSTA  (English Version “LIKE EVIL LIKES”)

Seoul , South Korea

16, June 2002 7:00 GMT

O correspondente da copa do nosso hebdomadário (que não circulou na semana passada devido à sabotagem de hackers que tentaram empastelar eletronicamente o nosso site) só agora nos mandou o registro da enorme alegria do povo coreano depois que sua seleção eliminou a Itália. Segundo se soube lá, em Seul, o nosso presidente, que torcia apaixonadamente pelos belos ragazzi da azurra, ao ver a cor da camiseta da seleção coreana, mandou seus estilistas favoritos confeccionarem uma nova bandeira nacional de cor rosa-shock. A madame Martá Lixô, née Suplicy, e seus orgulhos gays serão os convidados de honra para o lançamento oficial. D. Rudhe não gostou!

sábado, 18 de maio de 2002

O hebdomadário

COMO O DIABO GOSTA        
Brasília, 18 de maio de 2002
 (English Version “LIKE EVIL LIKES”)                                                         



Nervus entrou esbaforido na sala, sem fôlego para dizer o que lhe pesava na alma: prenderam o Polvo ! Foi quando ele saia do comitê ! Uma covardia ! E morreu. A classe trabalhadora desempregada há três anos, portanto uma classe não-trabalhadora, acabara de gastar o último foguete desde a renúncia do ministro Perorricu, e já se entregava à depressão com esta má notícia. Parece mentira, dizia um militante de mais idade,  mal  disfarçando o seu sotaque de anarquista espanhol. Sujeira da burguesia ! Vamos à luta ! Marquem um reunião logo, ou melhor, não desmarquem a de ontem por esta hora, gritou para o tesoureiro. Temos que tirar o Polvo da cadeia! E lá se foram eles, desorientados, portanto a lugar nenhum. Só conseguiam murmurar por entre dentes a indignação de que estavam tomados. No mais, espumavam.
As últimas notícias davam conta que o Polvo estava no Coy-Toddy, incomunicável, o que não deixava de ser terrível para quem está em campanha e precisa falar, mesmo que não tenha nada para dizer. Como se sabe, desde o governo de Ritamar Branco, as dependências do Coy-Toddy são guardadas a sete chaves. Nada, no entanto, comparável às condições tenebrosas  das prisões dos seus antecessores - a grande novidade eram os choques elétricos a laser e a piscina de água quente para afogar presos recalcitrantes. E o pobre Polvo poderia estar lá, aliás, era consenso que estava de fato. "Menas"mal que era na água, o seu elemento.O que fizera o Polvo ? Ninguém perguntara até então. Isto não deixa de surpreender. Quem o prendera ? Era outra questão não respondida. A militância suspeitava que tinha algo a ver com aquele misterioso aparelho de som importado, ainda que não passasse de coisa superada, isto desde de 1989. As hipóteses eram poucas, absurdamente poucas. Como se pode botar alguém tão bem nas pesquisas na cadeia ? Se fosse um candidato nanico, um Andréas, se entenderia. Mas não, era o Polvo, o candidato do povo. Nem o seu adversário mais importante, o CDF, teria coragem para isto. Até, dizem as boas línguas, eram farinhas do mesmo saco, antigos companheiro de lutas. Era preciso encontrar um culpado pela prisão; pelo menos um bode espiatório com "s" tinha que ser encontrado. Talvez o Brizol, lembram, o vice ? Vendeta pura e simples, taí a explicação. Mas ela não resistia a uma análise mais profunda, o próprio até já estava recolhido às suas fazendas em Jabotis, e não tava nem aí para a candidatura do Polvo.
Passou-se o primeiro dia e nada. O segundo e nada. E quando tudo já se encaminhava para o pior, se descobriu que o pior era a absoluta imobilidade das pesquisas. O mais prestigiado dos institutos, o Galope, não alterara nenhum número.Em outras palavras, ninguém dera pela falta do Polvo. A renúncia do ministro Perorricu, que provocara euforia no comitê do Polvo, se esgotava com o desaparecimento abrupto do Polvo. Oficialmente, é sempre bom lembrar, oficialmente, o Polvo era dado como desaparecido pelo governo. Ele também não saira do país, garantia a polícia paraguaia. O governador do Morro do Boréu colocara num balão uma mensagem dizendo que as narcoautoridades do Morro não tinham nada a ver com o pato.
Não se confirmara que ele estivesse preso no Coy-Toddy, ou em qualquer outra dependência do governo Ritamar Branco. Este, diga-se de passagem, foi exemplar em tirar o seu da estaca, ao afirmar sem muita categoria, que ele seria o primeiro a saber, aliás, como em tudo. Ele dizia que  o problema era dos sindicatos - em especial da Tuc, e da própria militância moluscular ( neologismo criado à semelhança de popular). Ritamar ironizava com o chefe da Tuc, o Aimorezinho Lingua Pegada.
Faltavam 10 dias para a eleição. O programa (pago pelo governo) eleitoral gratuito do rádio e da televisão continuava firme. Dia após dia, milhares de sacos eram torrados sem escrúpulos pelas autoridades,  mesmo após a renúncia do ministro.  E o Polvo nada. O Marketante, vice do Polvo, já não tinha mais de onde tirar tanta doutrina econômica convincente, apesar de ele ter sido um dos luminares nesta área até há pouco tempo atrás. Era notório que o seu contato muito próximo com o Polvo lhe dera "menas" compreensão dos problemas econômicos. Pesava contra, também, que ele se parecia demais com o substituto do ministro Perorricu, o Tiro Tomes. A calva já se lhes possuira, denunciando a gravidade dos pepinos assumidos por ambos.  Para o Marketante, duro mesmo era dizer "menas"a toda hora para o eleitorado do Polvo; já para o Tiro Tomes o problema era a cara de mocinho que ele tinha para enfrentar bandidos de tanto poder econômico.
Seqüestro. Tese muito provável. Certo. Mas por quem ? Quem aguentaria aquele humor refinado, aquela finesse, aquele bom gosto à mesa, em suma, quem aguentaria manter o Polvo no cativeiro por tanto tempo sem sofrer qualquer handicap intelectual, ou o que é pior, aguentando ouvir aquela cantilena interminável de economia de arrochos e salários aprendida a duras penas de antigos colegas metalúrgicos ? Quem?
Assassinato. Outra tese ventilada. A mando de quem ? E o corpo ? Sem cadáver não há crime, é o crime perfeito. A militância, precavida, vasculhava o Tietê sem resultados.
Chegou finalmente o dia das eleições. Haveria primeiro turno, menos mal. Se descobriu neste dia que a presença em carne e osso do Polvo ( licensa poética para descrever um invertebrado) não era necessária. Não havia nada na lei eleitoral que obrigasse o candidato a estar presente na eleição, desde que ele justificasse depois. Não se cogitava, como se depreende, da necessidade do segundo turno. Neste sim, o Polvo teria que garantir presença, até porque o eleitorado do Polvo é muito materialista, terra-a-terra, e não iria embarcar nesta de presença espiritual com tanto em jogo.
A apuração transcorreu em calma, isto é, houve roubalheira de todos os lados e ninguém reclamou. Só da lentidão. Foi difícil fazer entender àqueles milhões de analfabetos que ninguém lhes pagaria nada pelo voto, pelo menos não no dia da eleição. Teve gente que levou sacola esperando voltar carregado.Isto atrasou muito a apuração. E depois de finalmente, finalmente chegou o dia do anúncio dos vitoriosos, dos  dois que iriam para o segundo turno.
O Polvo ficou com 33% dos votos; CDF 32 %,  somando os  insignificantes Inércia, Atim  Piazzola, General Desgraça, 12%. O  Andréas fez gloriosos 23%, atestando o alto nível do eleitorado que compreendeu a mensagem dele. Quem sabe nas próximas o povo aprende definitivamente. A matemática bizarra do tribunal teve ainda que ajeitar mais uns 15% de nulos e brancos, com o que chegou-se a inacreditáveis 115 % de votos. Democracia demais dá nisto: 115% de votos apurados ! Mas a gente sabe que o tribunal deixou de contar mais uns 17 % de votos do interior do Amazonas. Desconfia-se que estes votos eram da eleição passada. Quase todos eram do candidato Vermelhinho, lembram dele ?  Protestos, impugnações, esperneios e manifestações de toda a ordem, e fora dela, pautaram os dias seguintes à revelação dos resultados finais, mas  não oficiais, pois muitos votos no exterior não tinham sido computados. Votos com certeza do candidato Polvo. Como se sabe, a classe trabalhadora emigrou em massa para o primeiro mundo depois da última porrada. Mas como nada termina neste país de sonhos e pesadelos, aceitou-se como definitiva a posição alcançada pelos dois primeiros colocados.
E o Polvo nada. Teria renunciado ? Será que se considerava eleito com 33 %, ou apenas satisfeito com este número, de tal sorte que voltara para sua terra, Garanhões, orgulhoso do feito  histórico? Ou tudo não passava de quimera, maracutaia do destino, ou reza pegadeira de padre nordestino ?  Do CDF não se esperaria iguais sortilégios, até porque o homem é ateu. Não, não tinha sido obra do CDF, não era do seu estilo. Teria o Partido dos Tentáculos encomendado algum trabalhinho no Haiti, e o tiro saira pela culatra, escafedendo o próprio Polvo ? Ou as bahianas do governador tinham mandiga mais forte ?
Há dois dias do segundo turno, com todos os candidatos apoiando o CDF, exceção do Andréas que montara um instituto de pesquisas só para ele ( comprara 10 segundos no horário pobre da Rede Bobo para continuar na disputa), alguém muito chegado à cúpula do Partido dos Tentáculos lembrou-se do antigo ministro da economia do Ritamar Branco. Lembrou ainda dos seus hábitos dominicais e do seu comportamento - quando portava escrúpulos consigo -,  de frequentar os quase colegas beneditinos ( eleitores da senadora Bendita do Rio de Janeiro) no mosteiro. Dois próceres ( lembram esta palavra?) do Partido fizeram um esforço extremo e foram lá, protegendo-se de eventuais respingos de água benta. Vasculharam os aposentos cuidadosamente, é claro com o consentimento dos monges. No porão, além dos ferros de tortura e manuais de guerrilha, encontraram  material de campanha do CDF e do Polvo. Isto foi muito difícil de explicar. Até agora a melhor explicação para se encontrar material dos dois candidatos rivais era que o ex-ministro em off ostentava as cores do Polvo; em on line, usava as cores do outro. Ou era o contrário, o off virou on, e o ministro se atrapalhou todo, a Rede Bobo bobeou, e ele foi  literalmente para o espaço. Os dois próceres continuaram as buscas até que encontraram o que queriam: o Polvo.
Não era mais o mesmo homem. Raspara o bigode e mandara cortar um pouco da corda vocal esquerda - sempre a esquerda -, para afinar a voz e poder cantar com os castratti  preferidos do Perorricu. Isto não era tudo. A fé tinha mudado. Agora acreditava piamente no neoliberalismo e na incapacidade de se distribuir a renda por igual, como sempre afirmaram os seus adversários. O próprio Perorricu também estava mudado. A sua voz engrossara. Os gestos delicados davam lugar a socos na mesa; os escrúpulos estavam de volta. Suas antigas ligações com a Igreja, que eram de ordem mais espiritual, ficaram bem materiais, até materialistas. Instado a falar da sua companhia, ele, assim que viu um microfone, derramou  luz sobre a escuridão: o Polvo pedira asilo no convento, mais do que isto, confessara para o ex-ministro que tinha medo da cúpula das elites do Partido. Enfim, temia um expurgo igual ao do Brizol. Pelo menos isto era uma primeira e dolorosa aproximação da verdade. Para saber mais era preciso ouvir da própria voz delicada do Polvo as suas motivações mais íntimas. A militância moluscular perguntaria sobre os compromisso da campanha. Estariam valendo ainda as promessas esparramadas por navio, ônibus, avião, trem, a pé, a jegue, a cavalo ? O cantinho de terra ( de preferência na superfície) para cada um? Um lugarzinho no céu avalizados pela CNPP ? Um salário-mínimo de US$ 100,00 pagos em reais ? Confirmaria isto o Polvo, ou não ? E o segundo turno, era preciso ganhá-lo. Até com o ex-ministro no palanque, e daí ?  O CDF faria todas as alianças e conchavos e acordos e coalizões e arreglos e coligações e combinações e etc., o Polvo faria igual ?

POLVO

                                       
                                                     
A História, dizem os entendidos, só caminha para a frente. É como se ela tivesse uma seta que apontasse somente para o futuro. Aliás, assim dizem os físicos. O futuro está à frente do nosso tempo. O presente não existe; é uma abstração da mente humana. Mas às vezes, o tempo pode tomar algum desvão e sair do seu curso normal, e por um túnel, entrar em algum desvio frustrando todas as setas e todas as leis da termodinâmica. Aí o tempo pára, ou o quê só podemos imaginar na ficção, toma um curso paralelo, que flui ao lado do tempo normal, da seta tradicional, aquela que não subverte a segunda Lei da termodinâmica. Foi o que ocorreu no Brasil em 1990. Um candidato presidencial, o Polvo, perdeu a eleição para um conterrâneo nordestino, bem educado, bem alimentado na infância e talhado para a profissão. Antes tinha sido caçador de marajás... Mas isso é outra ficção. O quê nos importa neste momento é que este caçador foi o vencedor das eleições no tempo normal, tradicional. O colorido e extravagante caçador já ludibriara muitas leis e convenções sociais, mas, faça-se justiça, nunca antes tinha violado a segunda lei da termodinâmica. Outro candidato no seu lugar, no entanto, o tinha feito. Sabemos agora, ou hoje, ou amanhã, não sei mais ao certo, por um cronista do universo paralelo ( aquele que se formou nas dobras do tempo) e por uma maneira da qual não temos a menor idéia, o quê acontecera ( ou teria acontecido): o Polvo tinha, já na sua primeira tentativa eleitoral no mundo normal, logrado se eleger presidente da República. À história que se segue, a se dar crédito a alguém que não registrou em nenhum lugar e em nenhum tempo real ou virtual a sua crônica, o leitor poderá agora, ou em qualquer tempo, ler e atribuir qualquer juízo de valor. Perceba-se o estado emocional do cronista. Há nele algo de receio, de temor, como se encontra muitas vezes no relato de pessoas que foram submetidas a grandes riscos e perigos e que somente com grande dificuldade e atribulações puderam dar luz aos seus relatos. O nosso cronista parece ter este estado de ânimo, um ânimo de correspondente de guerra.


 1994    
             
"A documentação estava completa há dias. Nada fora esquecido. Ninguém se atrasara. Sempre fora assim. Começava, então, o que de muito era aguardado com ansiedade. Partiram no avião quase vazio. O medo era grande naqueles tempos, pois muitos aviões eram abatidos em pleno vôo, alguns  até carregando feridos. Era a primeira leva de refugiados do Novo Regime. Algo histórico e antológico: intelectuais e empresários emagrecidos pelo cativeiro voltavam aos aviões de carreira com destino a Paris e Londres, só que sem a passagem de volta". Assim começava a crônica de um colega jornalista.
O governo encastelado na Fábrica, este era o nome da nova capital, comemorava junto a generais repletos de condecorações no peito. Alguns ostentavam a Cruz Vermelha , recentemente instituída pelas milícias camponesas. Alguns generais eram também muito recentes. Todos curtiam em saborosa algazarra a partida do avião, que, aliás, era mostrada para todo o país pela televisão. A comemoração era tão ruidosa que chegava a contrariar o Polvo , o grande vitorioso da eleição passada. Era do seu costume não deixar transparecer o humor, muito menos em companhia de militares e políticos de destaque. Afinal, eram todos eles, recém saídos do primeiro plano da vida nacional, acostumados à um vida de prazeres seletos, muito ao contrário do sisudo Polvo. A carranca, reforçada pela barba espessa , ajudava a compor a imagem que ele gostava de mostrar. A dureza do regime tinha que estar afinada com aquela auto-imagem deausteridade, mas que na verdade procurava esconder as limitações do Polvo, ex-camponês rude e iletrado. O antigo apelido de Nove Dedos, agora banido das conversas pelo medo da brutal repressão, condizia melhor com a sua verdadeira personalidade autoritária e repressora.
O mundo acompanhava com interesse e curiosidade. No entanto, a curiosidade era maior do que o interesse. O país nestes últimos anos do século era visto com perplexidade pelos parceiros comerciais. Tratados diplomáticos, acordos econômicos, convenções de fronteira, corriam o risco de desaparecer por obra do Novo Regime. Não que o país fosse importante ou  decisivo para a economia mundial, ocorre, entretanto, que para os chamados observadores internacionais, o Novo Regime parecia anacrônico e ineficiente numa era de avançada tecnologia onde abstrações como democracia e ideologia populista já não existiam mais. Daí a curiosidade. Daí também a indiferença. Mas o Polvo   parecia não notar o quadro internacional, pois muitos eram os problemas internos; fome, deseducação crescente da população, desemprego, violência, e, por último, medo da Justiça, instituição criada pelo Novo Regime ( e que conservou o antigo nome por puro desejo de desforra ), que estava por ser conhecida pelos seus ritos sumaríssimos. Neles, todo indiciado era levado à presença de três juizes togados e barbudos, não por coincidência, severos e austeros. Em três dias era proferida uma sentença, em geral condenatória e pecuniária. Com isto se vislumbrava um Estado, além de forte, muito rico. As cadeias foram esvaziadas no primeiro dia do governo do Polvo. Ninguém que já estivesse preso sob a lei anterior deveria permanecer na cadeia. Na ideologia vencedora, os crimes, os seus respectivos processos, e as suas conseqüências jurídicas tinham que ser revistos. E assim foi.
A vida cultural, entretanto, minguava. Não que isso fosse conseqüência do governo, não. O fato é que os intelectuais ficaram sem informação insuspeita - aquela história da queda do satélite não fora muito bem contada, se é que de fato realmente acontecera. Acreditar cegamente  nas informações oficiais seria imperdoável. A imprensa teimava em ser livre, por isso o descontentamento. De repente, jornais e revistas de destaque como a Hora Final e o Olho, que circulavam nacionalmente, tiveram seus quadros funcionais acrescidos de pessoas estranhas à profissão. Matérias que davam conta dos acontecimentos nacionais não eram publicadas, fotos que mostravam autoridades fiéis ao Polvo, eram convenientemente editadas. Em suma, havia um clima denso, como um ar pesado e opressivo. Não admiraria que a cultura nacional estivesse em crise. Os antigos cineastas só sabiam fazer filmes contra militares e empresários. As peças de teatro eram insípidas e incolores. Havia uma nostalgia de emoções políticas. O país se despolitizara sem partidos e sem parlamento . Os advogados que antigamente saiam às ruas gritando slogans juvenis eram todos funcionários estatais. Não conheciam o risco de perder uma única  causa.
 Ao contrário, na vida econômica, que afinal é o que interessa à massa, tudo parecia correr bem. As rações chegavam para todos. Os armazéns públicos estavam abarrotados de vegetais e grãos. Funcionava perfeitamente a campanha estatal que apregoava os benefícios da vida vegetariana, denunciando os  hábitos carnívoros. Voluntários vindo do nordeste do país ensinavam aos nacionais como fazer jejuns. Eram abençoados aqueles que ruminavam fibras  vegetais distribuídas gratuitamente. Estas sessões de ruminação eram acompanhadas de toadas sertanejas que faziam a alegria de enormes populações. Os padres benziam os fardos de fibras para dar um tom divinatório ao ritual. O Polvo encontrara uma maneira perfeita de se redimir aos olhos do clero pobre. Nunca se comeu tanto verde no país. O sucesso da onda verde foi tão grande que ninguém percebeu que o povo emagreceu muito. As pastagens foram todas gradativamente substituídas por extensas plantations. Eram boatos os rumores que rebanhos bovinos eram criados em fazendas estatais para uso exclusivo do pessoal da Justiça e da Fábrica. Alguns jornalistas maledicentes que andaram publicando calúnias foram silenciados tão logo iniciou a fase educadora do governo do Polvo, - não sem antes serem obrigados a se empanturrarem de carne à vista de todos.
As instituições políticas nunca foram tão perfeitas. O Partido dos Tentáculos criava todas as leis sem o constrangimento e o atrito da discordância opositora. Era a democracia perfeita : o Polvo no poder. Correspondentes estrangeiros, que eram levados às escolas de Instrução Primária, voltavam perplexos aos seus países de origem . A razão, entretanto, daquela perplexidade, não era bem entendida pelos nacionais. O método orwelliano que se empregava pela primeira vez nas escolas do país mostrava resultados surpreendentes : nenhum aluno deixava de assistir às aulas e à Instrução. Isto não se devia ao caráter compulsório da educação orwelliana, pelo contrário, via-se, e só os cegos deixavam de ver, a alegria estampada no rosto daqueles pequenos alunos-soldados, em especial nas instruções policiais-militares. Eram jovens robustos ,bem alimentados por proteínas vegetais e raiz de mandioca, recomendação pessoal  do Polvo - na infância este fora o seu alimento favorito. Como o líder, todos completariam o terceiro e último ano de Instrução, aptos até a desempenhar, quem sabe, o governo maior da nação.
Os serviços públicos se aperfeiçoaram no governo do Polvo. A educação, finalmente toda estatal, era endeusada nas comemorações cívicas . O dia 4 de outubro, nova data nacional, dia da vitória consagradora do Polvo, reunia milhares de estudantes marchando ao som de tambores pintados com as cores dos Tentáculos. Os currículos foram mudados. Nada mais de história, geografia, português, filosofia, enfim, tudo aquilo que pudesse desviar os jovens do amor ao Polvo. Ele, quando pequeno, apanhara muito por não poder entender aquelas matérias. Estavam libertados da tirania burguesa do conhecimento milhões de pessoas. Foi o maior tratamento dos complexos de inferioridade que já se aplicou no país. A saúde pública recebeu incentivos e subsídios estatais que não mais precisavam ser aprovados e alocados nos orçamentos. Aliás, os orçamentos foram abolidos, dada a não necessidade de aprovação das contas. As pessoas adoeciam porque queriam. Os médicos, que naturalmente atendiam de graça à população, não conseguiam entender porque morria tanta gente, já que o sistema era perfeito.
A segurança pública, então, era um primor. Tropas estatais não saíam das ruas nem mesmo nas horas mortas, patrulhavam sem cessar todas as ruas e becos. Bêbados e mendigos, meninos de rua e desempregados não mais eram vistos. Teriam terminado? A imprensa estrangeira denunciava métodos fascistas, mas isto nunca se provou. A verdade é que a segurança do cidadão aumentou muito. Diminuíram sensivelmente os roubos e atentados à vida. Quem fosse preso por roubo não era encarcerado: havia um lugar inóspito no norte do país que necessitava de trabalhadores metalúrgicos, já que a metalurgia era a vocação econômica daquela região chamada Escravônia. Não consta que nenhum degredado de lá se evadisse. Alguns preferiam ser expulsos do país - esta era outra punição que substituía a prisão, - de preferência  para algum Leão Africano, campeão de exportações.
O lazer, obrigatório para a população cativa do Polvo, contou desde o início com a aprovação estatal. O governo recomendava a caça. Ela voltou a se exercer sem proibições; eram muitos os dissidentes. Virou esporte nacional, uma verdadeira febre. Conta-se que dois cassados ou caçados (não importava mais a diferença semântica), apresentados à polícia, davam direito a uma visita com todas as despesas pagas à Ilha da Fantasia, como veio a ser conhecida Fidélia. A inveja internacional  tinha lá feito fracassar a educação orwelliana; ficara o mito, a lenda de um paraíso perdido e incompreendido - isto não aconteceria na pátria do Polvo. Os imensos recursos do país finalmente deveriam levá-lo à  superação definitiva de todos os seus problemas e complexos. De uma vez por todas o país seria libertado das conseqüências gravosas da sua origem de além-mar, e, principalmente, da sua quase eterna condição ex-colonial. Finalmente um governo do Polvo resgataria a história e o destino grandioso de uma raça injustamente chamada de preguiçosa. Tal era o estímulo e recompensa dos cassadores.
 O esporte das massas, no entanto, ainda era o futebol. Era o que comovia realmente o povo. Alguns historiadores gostam de dizer que o início e o fim do Novo Regime começou em um estádio lotado. Talvez jamais se saiba, mas foi em um estádio de futebol lotado por mais de 100 mil espectadores que o Polvo deu a sua arrancada para a vitória política. A massa que se comprimia esperando seu time favorito entrar em campo, o Flamingo, delirou com a aparição do Polvo e sua claque. Bastaram algumas palavras de entusiasmo e o povo tomou uma decisão sóbria e sensata, como costuma acontecer nos campos de futebol. Saiu do estádio convencida da veracidade e coerência apresentada a ela (a massa) pela linha do Flamingo  e pela lábia do Polvo. Desde tempos imemoriais, a começar pela democrática Atenas, que as decisões políticas mais importantes são tomadas em lugares públicos,  como teatros, estádios, comícios, em suma , lugares onde a verdade sempre transparece. Platão chamava o governo das multidões de teatrocracia. Mas Platão era um exagerado, além de ser um aristocrata suspeito. Mas foi assim mesmo que o Polvo chegou ao poder. A história tem seus caminhos próprios independentemente da vontade dos historiadores, os quais relutam em admitir que ela, história, sempre se repete. Ao contrário do que pensam os intelectuais ,não há síntese - as coisas ao cabo de algum tempo sempre voltam ao mesmo lugar. Sempre  houve Polvos e Partido dos Tentáculos, porque não os haveria novamente? É da condição humana o handicap da falta de memória. E o Polvo recebeu o triunfo do povo. Em braços foi carregado. Ao poder alçado.
Na virada do século e do destino, um outro estádio lotado foi responsável, ou antes, palco de um novo evento político, que desta vez agradaria o Platão.  O Polvo já tivera seu mandato reconduzido  - o processo fora feito em segredo. Portanto, o último ano do século também foi o último ano do Polvo no poder. E este ano foi exemplar em mostrar  a fatalidade histórica. Não houve porvir, não houve tempo. Para os que gostam de causas econômicas, em respeito à memória de Max, e, levando em consideração a verdadeira natureza do processo dissolutivo das finanças do Novo Regime, a real razão da derrocada do governo do Polvo foi o excesso de trabalhadores nas atividades múltiplas da economia. As organizações trabalhistas vieram a reivindicar participação no governo de uma maneira surpreendentemente agressiva, logo elas que tinham acorrido ao chamamento do Polvo e de sua claque. Pressurosas, as massas de trabalhadores exigiram participação nos lucros da empresa, digo, do Estado. Queriam uma parte no espólio dos ricos e condenados. Grandes fortunas convertidas em ouro ou títulos públicos oriundos das desapropriações se transformaram em fomento de cobiça. Por outro lado, a concentração de riqueza feita de maneira rápida demais desequilibrou a sociedade que tinha outra expectativa. O Polvo ,quem nem sabia usar dinheiro, muito menos fortunas incalculáveis, foi acusado do crime supremo de má administração pública, o que era uma tremenda injustiça pois que ele na verdade, nem governava ,tinha até ojeriza por todos aqueles papéis, cheios de palavras difíceis.     Governar mesmo ele deixava para os acólitos, bem preparados nas universidades gratuitas.Por outro lado, como levar a culpa e a responsabilidade em um  país que já tinha a maioria do povo bem ensaiada na arte do apoio irrestrito a qualquer medida anti-capitalista. O que dera errado então? Falta de experiência, generosidade excessiva, pena dos colegas corruptos? Ou era falta de escolaridade mesmo,  pouca educação formal à antiga, falta de amigos poderosos no poder? Será que a História estava mais uma vez se vingando dos que sofrem de falta de memória, dos que atropelam a experiência tradicional em nome de aventuras totalitárias incompatíveis com o final do século? A História tem a resposta. E ela veio em um estádio de futebol lotado: em uníssono o povão reclamou por dinheiro. Dinheiro? Como alguém podia falar  em dinheiro ainda? Para quê dinheiro, para quê ele serviria no Novo Regime? O Polvo nunca tinha pensado nisso. Seus ministros, acostumados com a caritocracia ( palavra criada por um dissidente no exílio, um tal de Robert de Champs), jamais se preocuparam com o dinheiro. Tinham decretado uma moratória universal a todos os credores nos primeiros dias do governo. As moedas não mais tilintavam como metais; agora só existiam como um impresso com a efígie do grande Polvo sorrindo enigmaticamente. Estes impressos pagavam os talões de rações, compravam a entrada nos estádios públicos. Quem se recusasse a recebê-los sofria as penas da lei. O estádio estava lotado para assistir à final do campeonato internacional. Havia jornalistas de toda as partes do mundo. Não teria sido alguns  deles os responsáveis por aquela colossal manifestação de desagrado? Não teria um deles introduzido o vil metal e com isto seduzido aqueles comedores de forragem? Não se sabe. O fato é que o Polvo foi vaiado estrepitosa e vexatoriamente. Palavras como "burro", "analfabeto",  "pau-de-arara", há muito proibidas, foram ouvidas. O Polvo se retirou chorando, vencido e aturdido pela traição do seu povo. O colapso do Novo Regime foi rápido, como costumam ser sempre os últimos dias dos governos populares.
Nem se esperou o fim do  segundo mandato. Foram convocadas eleições gerais. O povo teve que reaprender o ritual democrático: aquela história de prazos, filiações partidárias livres, discursos, e até os abomináveis programas de TV.  Nenhum candidato do Partido dos Tentáculos se apresentou. Seus antigos membros procuraram abrigo nos partidos novos recém criados mas não se candidataram. Houve fraudes enormes em todo o país - a lembrança dos velhos tempos incendiou a imaginação quase embotada dos políticos. As unanimidades desapareceram nas pesquisas; não havia mais favoritos como nas últimas pseudo-eleições de 1998. Agora a disputa não era ideológica, pois os candidatos tinham o mesmo discurso. Quanto ao povo eleitor, e que aumentara significativamente com o acréscimo do voto dos militares de qualquer patente, seu ânimo logo arrefeceu ,como sempre. O processo transcorreu calmo e sereno como sempre foi na tradição do país. É a tal índole pacífica do povo, este é o motivo, dizem os mais velhos.
O novo governo que assumiu logo tratou de desfazer tudo o que o anterior tinha feito. Até algumas coisas positivas como medalhas olímpicas, médicos de graça, shows gratuitos, terminaram. O processo de alfabetização que o Polvo, ou melhor, o setor alfabetizado do seu governo, começara, foi desfeito. Todo aquele insano trabalho de decorar as cartilhas com slogans e figuras proeminentes do governo, o que alfabetizara, é inegável, muitas crianças, se perdeu. Em outras áreas e setores do país, estagnados há muitas décadas, a troca de regime não melhorou significativamente. Uma sensação de desesperança se apossou do povo através de comportamentos apáticos e indiferentes. Não havia mais movimentos de rua, as manifestações, se é que existiam, aconteciam no abrigo do lar. A imprensa nada de emocionante tinha para mostrar. Sucessivos revezes fizeram a população bater em retirada dos teatros políticos. Em meio a esse alheamento generalizado poucos notaram que os indicadores econômicos sinalizavam uma recuperação nos negócios do país. A inflação, que fora retirada também das manchetes dos jornais, começava a baixar. Em três meses ela tinha chegado aos  níveis da década de 50-60. Como isto era possível? Nada tinha sido feito, como explicar esta queda que não estava na previsão de ninguém? As causas técnicas da inflação não tinham sido atacadas, ninguém nos deu dinheiro, como então a inflação baixara?
O Polvo foi viver um retiro melancólico em Fidélia. Aprendeu a fumar charutos do tipo "cabana" e freqüentemente era visto em teatros e shows educativos como se quisesse resgatar o tempo perdido nas trevas em que sempre vivera. O tempo passou. As flores desabrocharam e voltaram a murchar. Por toda a parte ressoavam murmúrios de desagrado. Murmúrios típicos de países livres. Eram ruídos de dor e de fome, de emoção pura ou alegria. Eram ruídos. Toda a sociedade faz barulho, se deixada livre. O silêncio é a sinfonia das ditaduras e dos cemitérios. As sociedades caladas têm algum tipo de doença, sofrem alguma restrição de movimentos. Sufocam. O tempo provara e demonstrara, não mais em charadas obscuras, mas em fórmulas claras, que a causa da queda do Polvo e do Partido dos Tentáculos  era a força, a rigidez, a esclerose. Na ilha do retiro o Polvo morreria alguns anos depois de reumatismo social. O Partido dos Tentáculos foi vendido por alguns dólares.
Eram oito horas e há muito eu tinha que estar acordado. Foi o calor o que me  acordou, mas sem desconforto, pelo contrário, acordei satisfeito, descansado e feliz, com um sorriso nos lábios. Mas, ao escrever, logo se apossou de mim um estranho pressentimento que eu espero não tenha estragado esta narrativa.”

Ass.   Jorge Orvell.

sexta-feira, 17 de maio de 2002

O RELATÓRIO DO DR. IGOR STRAGOWSKI (1989-2000)

      Comentários



Depois da queda do Muro de Berlim por cima das esperanças dos socialistas do mundo inteiro – dizendo melhor – dos internacionalistas socialistas, restariam tão-somente lembranças amargas daquele tempo na memória ocidental. De fato, na Europa, é disso que se trata. Para as lembranças amargas do socialismo, o povo europeu bem informado pela sua cultura clássica, ou contaminado positivamente por ela, está dando o tratamento que elas  mereciam,  isto é, o seu repúdio nas eleições. Porém, em países emergentes, que ainda disputam valores e lutam por afirmação nacional ante a forças dissolutivas, tal fenômeno não ocorre. Pelo contrário, as esquerdas mais radicais prevalecem nessas regiões ganhando eleições e semeando discórdias. Para esse público-alvo é que se voltam preferentemente as esperanças de velhos revolucionários como o Dr. I. Stragowski.

Na Europa decaíram muitos dos pressupostos do socialismo por caducidade e anacronismo de meios, mais do que de fins. Nem todos aqueles socialistas,entretanto, morreram, é certo. Alguns sobreviveram e temendo retaliações se disfarçaram para melhor continuarem agindo. De um deles, um ex-professor emérito da Universidade da Amizade dos Povos (Patrice Lumumba), sob o pseudônimo de Dr. Stragowski, e que vive hoje nos Estados Unidos, se soube recentemente existir um relatório, ou uma espécie de manual do comportamento politicamente correto (sob o ponto de vista socialista, é óbvio), dirigido à cidadania dos povos norte e latino-americanos. Obra-prima de contra-informação soviética, ao melhor estilo KGB e dos arquivos de Moscou, o Relatório do Dr. Stragowskiteria sido muito bem acolhido por figuras importantes de governos recentes nas Américas e ali introduzido por influentes agentes formadores de opinião pública, entre artistas, jornalistas e cientistas eminentes, e até por megaempresários.

Aqui reproduzimos alguns itens mais apelativos do tal Relatório.

“Não deixe jamais transparecer aos seus amigos que vocês, ainda que remotamente, retêm alguma simpatia a qualquer governo norte-americano. Não se trata de mostrar antipatia ao povo americano, que como todo povo, ainda pode (e está a) ser cooptado para os nossos ideais marxistas e revolucionários. Trata-se , isso sim, de diabolizar os governos americanos e suas políticas externas e internas, de tal modo que países emergentes possam deduzir por essas condutas um tipo de sentimento que sirva à penetração e à consolidação da nossa ideologia.(diretivas- arquivos 1-3).

No mesmo tom, é conveniente que as massas nacionais devotem às forças armadas dos seus respectivos países o mesmo ódio que elas devotam ao poderio militar norte-americano, de sorte que, ao identificar o imperialismo ianque às próprias forças nacionais, estas se degradem. Além disso, fomentando a hostilidade dos civis, e neutralizando as mentes militares ao orientá-las convenientemente para fins dispersivos e aleatórios, subtraindo-as de suas antigas lealdades (o quê não é difícil, se considerarmos que elas são suscetíveis a apelos nacionalistas), fazendo-as se sentir diminuídas ante a sua perda de poder ou de influência, chegaremos à erradicação da única força realmente antagônica aos nossos propósitos. (diretivas- arquivos 3-4)

A etapa primordial (diretiva arq. 1-3) é fornecer ao imaginário dos povos uma provisão suficiente de sentimentos aversivos a quaisquer ações bélicas, justificadas ou não, protagonizadas por tropas americanas ou a quem venha a elas se associar. Os incidentes internacionais recentes na Bósnia, na Iugoslávia, na Etiópia, e os mais antigos, no Caribe (El Salvador,Granada e Panamá), devem receber o maior repúdio e total desaprovação dos povos. Na mesma linha, as antigas ações militares de Israel, que sempre receberam a simpatia de uma opinião pública internacional lacaia e servil à propaganda ianque, hoje, devem merecer da parte das massas a maior reprovação. Para tal, devemos recrudescer os elementos de propaganda e agitprop no sentido de inviabilizar e desarmar eventuais sentimentos pró-israel nos povos americanos. Por isso é fundamental angariar simpatia a atos terroristas que venham a acontecer no futuro casando-os às idéias de liberdade do povo palestino e a sua luta contra a dominação do sionismo internacional.

As ocasionais relações econômicas do capitalismo com países socialistas e comunistas (China, Coréia do Norte, Cuba) devem ser  pronta e convenientemente reconhecidas como sinais de avanço do socialismo, e identificadas como sinal de abertura política que aproxima os povos, assim diluindo as desconfianças antigas. É fundamental para a nossa causa estabelecer relações de igualdade entre povos com potencial para o socialismo com países de economia capitalista desenvolvida através de acordos internacionais e alianças econômicas...(diretivas 4-7)

Ainda, por fim, a destruição completa das figuras de autoridade e de suas instituições, especialmente as de caráter militar e para-militar, deve presidir as nossas ações de sorte a promover o crime incontrolável e imputá-lo à lógica capitalista e ao  neoliberalismo, seu nome mais moderno. ...(diretivas 7-10)

É muito salutar à causa marxista-revolucionária que as bases cristãs das nacionalidades sejam atacadas na sua moral. Os costumes decadentes, outrora apanágio de grandes impérios da antiguidade, devem retornar à ordem do dia das sociedades capitalistas emergentes ou não. Convém então acelerar o processo de denunciação criminosa e imoral das igrejas, fomentando a suspeita nessas instituições...(diretivas 3-6)

É peça importante dos nossos esforços políticos e ideológicos a introdução ou a banalização de costumes depravados no seio das sociedades capitalistas, em especial, as mais afluentes. Sobre as menos ricas, nas quais avulta o potencial de luxúria e relaxamento moral,traduz-se de especial relevância, segundo os ensinamentos do nosso mestre Trotski, subverter desde a infância os costumes, instilar o ódio de classes, promover o sexo promíscuo, e propagar as taras sexuais de todos os tipos. A pedofilia, o homossexualismo, a prostituição, são práticas ideais aos propósitos revolucionários. Enfim, é nosso dever aplicar o Plano de Trotski.*

Para obter o controle do mundo e criar uma Nova Ordem Mundial


 “ Destruir as gerações jovens através de uma educação maliciosa e
    estúpida.
Remover os fundamentos da vida em família.
Dominar a opinião pública tomando de assalto a imprensa e as mídias.
Dominar o povo promovendo (cuidando) os seus vícios.
Minar o respeito por todas as religiões, especialmente as cristãs.
Destruir a arte, a literatura e a música.
Distrair a atenção das massas do que realmente está acontecendo por todos os tipos de entretenimento e competições esportivas – em suma, entreter e impedir que o povo acumule conhecimentos e que pense.
Criar conflitos generalizados e ódio entre diferentes grupos na comunidade.
Retirar o povo das suas velhas tradições, tomando posse da sua linguagem.
Tirar o vigor da agricultura endividando as fazendas, as terras, e removendo o capital das mãos dos financistas.

Encorajar todas as falsas utopias para levar o povo a um labirinto de idéias sem esperança.

Gradualmente infiltrar e minar a autoridade, de modo que possamos contar com o nosso povo.
Preparar a luta de morte entre as nações, exaurindo as populações mundiais pela dor e cansaço, privando-as da sua possibilidade de existência .”


Como vimos o Relatório do Dr. Stragowski, contemporâneo nosso, não difere em síntese do Plano de Trotski de 1906. Desnecessário lembrar que todos os itens do Plano foram executados por Lênin e depois por seus seguidores, incluindo Gorbachev, hoje ainda influente, sobretudo no Ocidente onde executa e coordena políticas “ecológicas” de sabotagem à atividade industrial do mundo livre. A globalização socialista (que comporta inclusive estratégias revolucionárias, mormente em países com pouca força militar e alto índice de miserabilidade), por esses escritos, seja o primeiro deles peça de ficção ou não, se reveste da mesma potencialidade e tem malignidade igual à globalização econômica. Resulta óbvio que esta serve àquela, é seu modus operandi, é seu elemento principal de dissimulação, pois que ao permitir a aplicação dos planos comunistas sob uma base econômica capitalista lucra duplamente, imputando ao capitalismo os ônus e ficando com os bônus que a liberdade e a democracia desse regime propiciam. Essa situação é percebida por analistas mais percucientes como uma ”armadilha gramsciana” perfeita, que engendrou um mecanismo infalível. Os que estão dentro dela mal percebem que suas acomodações apertadas assim são para que se joguem uns contra os outros, e dessa confusão não logrem juntar forças e alcançar saídas. Uma Babel do Demônio! O resultado é a “violência”, antigamente chamada criminalidade; o caos social, a desordem organizada. Em suma, o conflito e clima permanente pré-revolucionário a manter a chama da guerra acesa. Para os que ainda não caíram nela, uma questão de tempo, o seu poder de atração é irresistível. São os seus principais chamarizes: a democracia, liberdades, direitos, e certa distribuição de poder com limites generosos e justiça elástica (o caso brasileiro). A democracia “burguesa” é funcional e providencial. Há que se mantê-la o quanto puder - o processo tem a lógica de ser auto-sustentável - porquanto a revolução necessita de um ambiente, uma plataforma política meramente formal, e um poder que se permite hipotecar em mãos confiáveis até que ele se faça em nome próprio. Aí será tarde demais para as vítimas, a arapuca fechar-se-á. O plano é mundial.

O caso brasileiro tem um papel de destaque no plano trotskiano. A conjuntura histórica brasileira que o está possibilitando tem nas forças armadas um dos protagonistas principais. O regime determinado ao país de 1964 a 1989 inscreveu profundamente nele marcos notáveis pela sua distinção em comparação a regimes políticos passados. Tal impressão,  além disso, produziu sobre os protagonistas derrotados uma marca também indelével que hoje eles buscam resgatar pela via da vinditta. O que o regime militar fez, ou deixou de fazer, e o que lhe foi e é atribuído, - o quê no imaginário popular não produz a mínima diferença -, determinaram a hegemonia socialista dos dias de hoje. Tudo aquilo que os governos de 64 a 89 não permitiram, ou evitaram que acontecesse,  hoje está no poder. As idéias derrotadas de ontem, são as idéias majoritárias e vitoriosas de hoje. Em um absurdo link histórico descontínuo, as idéias socialistas e revolucionárias, à época já peças de museu, hoje se continuam pelas mãos dos mesmos revolucionários juvenis de ontem, como se o tempo não tivesse passado e a história tivesse ficado em um estado de suspensão. E também na intensidade e na dramaticidade dos acontecimentos de ontem e de hoje se percebe que quanto mais os princípios e valores cristãos e humanistas foram defendidos e sustentados, tanto menos eles agora permanecem. No mundo todo há o fenômeno do recrudescimento da Revolução juvenil de Paris de 1968. Isso é verdade. Entretanto, em nenhum lugar do Ocidente como no Brasil houve tão grande inversão de valores e destruição de princípios; em parte alguma do Ocidente o gramscismo foi tão bem sucedido; em parte alguma do continente as forças armadas foram tão bem neutralizadas na sua vontade de ação, na sua capacidade de ação, e o quê é pior, na sua capacidade de entender o processo histórico internacional de sabotagem gramsciana, oferecendo a ele resistência efetiva e eficaz. Em alguns casos a submissão é consciente e desejada.  Em breve, quando o processo estiver mais adiantado  - salvo a intervenção de uma força de divina transcendência -, até o país hoje mais infenso ao mal socialista, sucumbirá. Tal a lógica perversa desse engenho. A verdadeira tragédia do socialismo é que a sua natureza pouco difere da imagem que fazemos do demônio: como ele, é insidioso, dissimulado, sedutor, atraente, imaterial, e internacional! Contra isso nem o maior Império pode!

* (você pode ver na íntegra o Plano de Trotski no Museu Britânico, onde ele está desde 1906).No livro do Professor Zbigniew Brzezinski, Between Two Ages (1970-73) existem comentários detalhados desse plano.


    Carlos Reis

sexta-feira, 5 de abril de 2002

Fundamentalismo Romárico



Já estamos no terceiro milênio e a humanidade não pára de criar religiões consagrando e sacralizando posições, opiniões, teses, ou meros chutes sem direção no gol adversário. No Oriente Próximo (deles)  as religiões encontram-se em uma encruzilhada, ou se quiserem, em uma cruzada, que envolve as três fés do grupo abraâmico: o islamismo, o judaísmo e o cristianismo. O mundo perplexo, cujo estarrecimento parece não encontrar limites, assiste em suas casas o espetáculo da intolerância religiosa de duas destas fés.
Aqui no Brasil, abstraindo a fé petista e seus missionários revolucionários do MST, que recentemente estabeleceu alianças (os termos concretos ainda não são conhecidos) com um dos seus inspiradores, Arafat, o que, porém, mais ocupa as manchetes dos jornais, os comentários, e as tvtelas do Big Brother (aquelas que você ainda pode desligar!), é o recém criado culto do romarismo.
Nascido no Rio de Janeiro, mais exatamente nas praias ensolaradas onde se pratica o fútilvolei, como se sabe esporte fundamental para o espírito e o corpo, por estimular o dever, o trabalho coletivo, e o sacrifício, virtudes eminentemente cariocas, o romarismo atinge neste ano eleitoral e de copa do mundo proporções de dar inveja ao conflito israelense-palestino.
Ainda não foram vistos blindados nas areias de Copacabana, Ipanema, ou na rua da Alfândega (sede da CBF),  mas circulam insistentes rumores veiculados na imprensa nacional que cobre o confronto das facções romaristas e anti-romaristas, que são ouvidas amiúde instruções militares e gritos de ordem. Dizem que outros tipos de agressões vêm sendo perpetrados sem que o pessoal dos direitos humanos dê a mínima bola. Não houve até agora a intervenção (ou invasão) da CNBB nem qualquer manifestação de ONGs globalizadoras. Excetuando-se uma tímida insinuação presidencial (ele é fraco em tudo!) em prol do romarismo, mas que não assustou o quartel-general do Big Phil, nada mais se viu que pudesse resolver o conflito.
 Os dois lados não param de se acusar mutuamente. Este confronto nacional já vem se estendendo há meses. O último episódio do choro do Romário na tvtela, entretanto, deu muito o quê falar. Como não poderia deixar de ser já apareceram versões que tentam explicar o fato. Há os que defendem que as cenas de ontem do Romário choramingando nas tvtelas e as palavras do protagonista (palavra da moda dos neocomunistas de Porto Alegre), foram arrancadas depois de torturas inomináveis. Segundo esta versão, Romário teria sido torturado por agentes do Mossad a serviço do Big Phil. A auto-humilhação do baixinho não seria assim tão auto. O outro lado, anti-romarista, afirma que aquelas cenas de humilhação pública, de declaração de amor ao Big Phil seriam já os primórdios de um  estado totalitário que se avizinha. Romário assim teria sido submetido a algumas sessões de lavagem cerebral, iguaizinhas as que o povo brasileiro vem sofrendo há algum tempo. A diferença é que o povo brasileiro não pode convocar catárticas entrevistas coletivas!
Objetivamente, sem entrar nem sair do mérito, a tvtela mostrava atrás de Romário agentes especiais que procuravam ocultar o rosto à maneira dos arapongas do Serra. É muito rápido, mas dá para ver também, Eurico Miranda atrás de Romário. Não se percebe, é justo registrar, que ele apontasse alguma arma para obrigar o Romário a dizer aquelas coisas todas – que ele iria se concentrar, fazer educação física, não pular o muro da concentração de noite, resistir ao assédio desinteressado das fãs e, principalmente, não usar o celular, talvez o maior dos crimes de hoje em dia – vejam o precedente do PCC e do CV nos presídios. Como todo mundo sabe, somente por tortura o Romário diria ou insinuaria aquelas coisas todas completamente opostas aos seus valores e aos princípios do fútilvoley carioca.
Em outro momento Romário é visto saindo – observadores registraram que foi para enxugar as lágrimas -, mas outros mais maledicentes afirmam que Romário nos bastidores tomou algum Coca-Cola, digamos, não muito politicamente correta. O fato é que ele voltou com mais imagem, e chorou outras duas vezes pedindo desculpas coletivas. Mas também ninguém ouviu dele que ele iria ajudar na marcação!

Não dá ainda para dizer quem está dizendo a verdade, ou mentindo. Aliás, nesta questão religiosa a verdade é sempre a primeira a morrer. Resta-nos esperar a magnanimidade do Big Phil dizendo: Big Phil wants you, Romário! Só então saberemos se o seu coração é aquela dureza toda de que o acusam os romaristas, ou se ele é uma compassion people, como gosta de dizer o Bush F°. Aguardemos o próximo alistamento.

Carlos Alberto Reis Lima
Médico
Amaral Ferrador/RS

quarta-feira, 16 de janeiro de 2002

Manual de Instruções para o Fórum Social Mundial II

    FÓRUM SOCIAL MUNDIAL II

 

             MANUAL DE INSTRUÇÕES E INSCRIÇÕES


         INTRODUÇÃO

Você, comunista, que está assanhado para participar ou pelo menos ver desfilar os ícones do comunismo internacional no Fórum Social Mundial II, a maior concentração de genocidas, guerrilheiros e intelectuais amantes de crimes por metro quadrado do planeta, desde já vá aprendendo algumas coisas!
Em primeiro lugar é bom que você domine a língua oficial do evento, ou pelo menos domine os costumes. Isto não é tão fácil quanto parece. Dada a diversidade da flora e da fauna que estarão presentes, é bom ter algumas aulas de comunês ou socialês, lendo o nosso Manual do Politicamente Correto, em três idiomas (o inglês não consta, por razões óbvias).
Por exemplo, se você é apreciador da guerrilha comunista das FARCs, e não conhece os costumes locais, é indispensável que você saiba reconhecer a Função Social da Cocaína, porque neste início de século XXI, não se justifica que você não saiba ou não compreenda a função social do plantio, e do consumo de cocaína por uma população que espoliada pelo capitalismo internacional não tem nada para comer nem para cheirar. Como a exclusão social capitalista não permitiu até agora o plantio organizado da coca no Brasil, adapte-se para conhecer a Função Social da Maconha, o entorpecente oficial do evento. (Maiores informações estão disponíveis no gabinete do dep. Gabeira em Brasília ou no site www.tôdoidao.org.br ).

Na questão zapatista é de bom alvitre (para quem só foi educado na pedagogia petista, alvitre quer dizer aconselhável) ter em conta que a questão social do México e da região toda só poderá ser resolvida com a substituição completa da democracia representativa mexicana por uma comissão tipo Orçamento Participativo para a Paz. Aliás, esta é  a grande novidade do Fórum. O próprio problema das guerras e das lutas separatistas não poderá pegar você de surpresa. Prepare-se para saber como o Fórum resolverá estes problemas crônicos da humanidade em apenas cinco dias - graves problemas que os capitalistas selvagens não souberam resolver em 2 séculos!. Você não pode ficar de fora disso! Leia com atenção o Manual que estaremos distribuindo e proponha você mesmo as soluções que o mundo precisa!

ATENÇÃO PARA AS INSCRIÇÕES

I - DEVERES

Você deverá provar que é comunista praticante, ou pelo menos socialista simpatizante por algum gesto, ação ou pensamento. Conforme o nosso espírito prático e revolucionário, é necessário provar ênfase em aulas práticas, no treinamento, na luta, para a inscrição. Enquanto os diplomas da UERGS não estão disponíveis (nas próximas edições do Fórum somente formados pela UERGS serão admitidos) pratique todas as formas de luta social. Por exemplo, seqüestre ou invada propriedades; assalte o Banrisul. Treine no seu vizinho, por motivo de economia. Mas não se esqueça de se cadastrar para as cestas-básicas do governo Olívio. Invada tudo o que for possível até a inauguração do evento. Rasgue as suas roupas; suje a sua cara de preto (desculpe, não foi intencional!) para simular pobreza e miséria!

É altamente recomendável inscrever-se no MST. Porém, as inscrições nesta  oficina são muito concorridas. Exigir-se-á escritura de terra ou comprovante de invasão fornecidos pela Brigada Militar ou pela Secretaria de Justiça Social e Segurança para Criminosos, reconhecida pela Justiça de Passo Fundo. Certificados de invasões antigas, já referendadas pelo neoliberalismo de FHC, não serão aceitos como documento válido!

II- DIREITOS

Carteirinha da CNBB. Se você estiver em dia com a entidade (sede internacional, Puebla, México) você é nosso convidado especial. Também a entrada é franqueada para portadores de documentos da Pastoral da Terra, Pastoral Carcerária, Pastoral do Menor ,dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e da Câmara Federal.

Trabalhadores em seqüestro (ou tomadores de reféns), profissionais em Ideologização Forçada de Crianças na rede pública estadual, e detentores de passaporte atualizado com visto de Cuba ou da Venezuela têm acesso franqueado.
Se você cumpre pena por algum delito contra a propriedade, a liberdade, o direito de ir e vir de alguém, a Comissão Organizadora não apenas franqueará a sua entrada, como lhe dará direito a duas refeições quentes e estadia  em hotel de 4 estrelas na rede local de Oliviogrado enquanto durar o evento. Estuda-se a  revisão da Lei de Execuções Penais.
Para os portadores de sofrimento psíquico serão ministradas aulas e palestras higienizadoras e de recuperação pelo Dr. Bisol. O evento será subsidiado pelo detergente mental LAVARÁPIDOSOCIAL ä, reconhecido oficialmente pela FAURGS. Se eles sobreviverem a Comissão Organizadora expedirá Certificados de Idiotia Social.
Como ainda estamos na terra do jeitinho brasileiro, se você tiver uma foto com o Fidel, com o Lula, um terço abençoado por qualquer bispo comunista da CNBB (serve foto do frei Beto e do Boff) e, especialmente, conseguir provar que é simpatizante do Osama bin Laden, o Fórum  estará de portas abertas para você!

III- LAZER

Ninguém é de ferro, muito menos os trabalhadores em revolução. Para descontrair a Comissão Organizadora do Fórum Social Mundial II reservou para todos alguns momentos de pura alegria. Não deixe de assistir e participar gratuitamente do evento Dois Minutos de Ódio, onde você poderá jogar o que quiser, e berrar o que quiser contra as imagens do George Bush, do FHC, do Olavo de Carvalho, do Vieira da Cunha, entre outros.
Para criar coragem, baseados enrolados em papel reciclável e ecologicamente correto estarão disponíveis. Não há perigo! As leis do Estado de Direito estarão suspensas durante todo o evento.
Chaveirinhos, T-shirts  e souvenirs com a efígie do Che Guevara e Bin Laden custam R$ 5,00 e se destinam à construção da sede do PT. Lembrancinhas de Stalin, Lênin, Mao Tse Tung, Pol Pot, Fidel Castro e Hugo Chavez,  custam R$ 1,00 e se destinam às obras sociais da primeira dama e para fechar as contas do Clube da Cidadania.

OBS.

Para os casos omissos neste Manual de Inscrições consulte o nosso site www.vivaocrime.org.br na Prefeitura de Porto Alegre, Oliviogrado, ou www.fechandoosolhosparaocrime.org.br  de Brasília.


Carlos Alberto Reis Lima.